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domingo, 31 de maio de 2009

Franca-face



"These are the days that I’ve been missing give me the taste, give me the joy of summer wine these are the days that bring new meaning I feel the stillness of the sun and I feel fine."

Jamie Cullum





Cada dia perfeito.
Cada metamorfose de chumbo a ouro.

Alquimista sem segredo, sou louco coerente.
O medo é pouco, nada me é inerente.
Fada de contos me trouxe verdade
Do terror p'la vida p'la metade.
Tida a maldade com ácido horror
Sou-me tanto. Plácido rei de meu palácio
Bordei d'amor o manto carmesim.
Mesmo assim, não recuso o ceptro
Que metro a metro me toma recluso.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Summertime



"summertime and livin's easy"

J. Joplin







férias

descanso
praia
café com gelo
esplanadas
mar
sol
calor
ginger ale
salada
smoothy
gelo
areia
bronzeador
pele
amor
amiga
paixão
amigo
flirt
alcóol
viagem
fino
céu
noite
martini
música
memória
futuro
presente
presentes também...


Sou *tão* feliz.


BS: Selfish Love

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Chess


"I know it's over, It never really beggan but in my heart it was so real..."


By Jeff Buckley, in I know it's over

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Egoísmo





"Pimenta no cú dos outros é refresco."

(da nossa muito querida sabedoria popular)









Nenhuma outra frase é capaz de descrever semelhante grau de egoísmo. Respiramos ego.

E todos somos fúteis: admita-mo-lo sem culpas.

Todos nos preocupamos com as coisas mais básicas e da menor importância (quer materiais quer imateriais), ao invés de manter a postura politicamente correcta e pró-activa de ajuda perante o outro: com o que este sente, com o que pensa, com o que vive, sei lá! Quando pensamos no outro, invertemos a situação e focamo-nos na imagem que o outro tem de nós, nada mais. Assim, quando estamos preocupados com o outro, estamos realmente preocupados conosco, com o que podemos ganhar com a situação em causa, com o que o nosso ego exige em troca de uma boa acção.

Tudo isto é uma questão de imagem, não nos equivoquemos. Apólo sempre foi dominador. A forma é rainha, o conteúdo é apenas um bónus. Naturalmente, um bónus que nos pode ser de extrema utilidade quando condensado num bom pacote, como já seria de esperar. Contudo, meus caros, conteúdo sem um pacote em condições não é de nenhuma forma o suficiente.

"What's practical is logical, what the hell who cares", já dizia a nossa loirita do coração. Esta é a ideia complementar do raciocínio - ligeiramente abalado já pelo caminhar das horas. Somos seres prácticos, quotidianos, fúteis e, em alguns casos, tributáveis também, como diria algum Pessoa. Temos problemas e precisamos de soluções. Temos necessidades que devem necessariamente ser compensadas. Nada mais simples: utilizamos o que nos é disponibilizado para usufruto do nosso ego.

Ética é, pois, unicamente uma forma soft de condenar a sociedade ao curioso síndrome do rebanho, que, sabe-se lá porquê, tende a seguir um padrão pré-establecido sem o questionar - e normalmente a defender o mais fraco, o mais coitadinho, o que não se atreve, o que é feliz com os limites que lhe são impostos pelo medo (who would have thought?!).

Eis senão quando, ao ouvir (ou ler) a palavra medo - para alguns, depois de um bocadinho de esforço ao nível da massa encefálica - percebemos qual o verdadeiro chicote comandando a fera que é o nosso mundo.


(que rufem os tambores!)

M e d o.

É por medo que nos controlamos, é por medo que não somos o que queremos, é por medo que seguimos uma vida que não renegamos. É por medo que não somos transparentes, é por medo de mostrar qualquer pseudo-vulnerabilidade que vamos alongando a nossa existência - no mínimo patética.

A grande questão, no entanto, é ainda outra: porque cedemos perante este medo que nos condiciona todo e qualquer movimento, todo e qualquer pensamento de qualquer uma das ovelhas cegas do rebanho?

A ovelha transmutou-se: ao ver a compincha sair do trilho, já não faz baaah; agora ladra. A ovelha é o cão, é o guardador do rebanho. Haverá melhor forma então de controlar um rebanho que incutir o ódio entre as próprias ovelhas? Divide and conquer.

Terminando. Se não queremos ser o cão (alguns querê-lo-ão, apesar de eticamente não ser a atitude mais correcta - mas sempre há aquela ténue sensação volátil de poder que nos faz sentir tão bem...), teremos necessariamente que ser a ovelha?

I get along without you very well


"So you're gone and I'm haunted and I bet you are just fine... did I make it that easy to walk right in and out of my life?"

A Fine Frenzy, in Almost Lover







Uma semana.


(...)


Sou sozinho.

Sempre me defendi com a minha autosuficiência, com a minha independência, com a minha solidão, mas... despidas as armaduras, despida a couraça que me protegia, vi-me novo, puro, feliz...


A minh'alma cresceu.


A couraça agora é justa demais, prende-me os movimentos, revela-mos forçados e teatrais... Impossivel vestir o velho traje. É velho e sujo e negro e sufoca...

Quero liberdade por mais um segundo. Só mais um segundo, nada mais. Quero te pertencer para ser livre, quero de volta as correntes que me amarravam...


(...)

Prende-me a ti...


domingo, 24 de maio de 2009

Abdicação


"O amor é o estado em que o homem vê sobretudo as coisas como elas não são. (...) No amor, suporta-se mais do que de outro modo, tolera-se tudo."

F. Nietzsche, in Anticristo

sábado, 23 de maio de 2009


"Once I wanted to be the greatest. Two fists of solid rock and brains that could explain any feeling."


Cat Power, in The Greatest



Olho-me pelo ombro com saudade.

De tudo quanto para mim estava reservado, pouco mais consegui que alguma literatura de bolso barata, mais óbvia que cliché repetido. Em nada sou criador.

Não separo o que me torna baço, não sei para onde se me partiu o brilho.

Continuo então parado, imaginando o que já fui, revendo o que um dia serei. E giro sobre mim próprio (sonho que somos dois astros doidos, satélites mútuos em rota de colisão...) em espirais de orgulho e altivez.


...



Nada disto é ouro já... A esfinge serenou, perdeu o jogo: o caminhante deve prosseguir viagem.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Insomnia



"The world belongs to you. Just choose something and do it."

A.B.





Parei.

O mundo não me pertence, nunca me pertenceu, nem mesmo eu alguma vez pertenci ao mundo. Sempre vivemos separados, como que evitando qualquer tipo de interacção.

Tocámo-nos uma vez, se bem me recordo. Tão vulneráveis estávamos que nos acabámos por magoar. E magoámo-nos tanto...

(...)


Continuo parado.

Não sei. Nunca soube escolher...


(...)

Cansado d'inércia, giro agora no eixo de mim próprio.

Simbiose perfeita, sou mundo abstémio d'emoção e homem de coração quebrado. Sou flutuação d'um qualquer elemento volátil, sou Lanu em Sublimação.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Metanoia


"You can't make people love you, but you can make them fear you. For what it's worth, you're my queen. I choose you."


Blair Waldorf, GG, s02e25.








Vingança prato de tradição frio
Acaso o quis que o gostasse morno
Entre açúcar e chilli maravilhoso trio
Levado a lume brando a médio forno

Assim que já estale a cobertura
Açúcar caramelizado sob mil sóis
Então aí começa a tortura
Lançam-se os iscos e os anzóis

Pelo olor do pitéu apurado
Chega pé ante pé ou belicoso
O triste e ignóbil afortunado
Que o comerá ou cego ou presunçoso.

De qualquer das formas aqui está o segredo
Importante é manter o prato quente
Flambear a vitima em alcool e medo
E degustar a maldade da nossa mente.