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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Egoísmo





"Pimenta no cú dos outros é refresco."

(da nossa muito querida sabedoria popular)









Nenhuma outra frase é capaz de descrever semelhante grau de egoísmo. Respiramos ego.

E todos somos fúteis: admita-mo-lo sem culpas.

Todos nos preocupamos com as coisas mais básicas e da menor importância (quer materiais quer imateriais), ao invés de manter a postura politicamente correcta e pró-activa de ajuda perante o outro: com o que este sente, com o que pensa, com o que vive, sei lá! Quando pensamos no outro, invertemos a situação e focamo-nos na imagem que o outro tem de nós, nada mais. Assim, quando estamos preocupados com o outro, estamos realmente preocupados conosco, com o que podemos ganhar com a situação em causa, com o que o nosso ego exige em troca de uma boa acção.

Tudo isto é uma questão de imagem, não nos equivoquemos. Apólo sempre foi dominador. A forma é rainha, o conteúdo é apenas um bónus. Naturalmente, um bónus que nos pode ser de extrema utilidade quando condensado num bom pacote, como já seria de esperar. Contudo, meus caros, conteúdo sem um pacote em condições não é de nenhuma forma o suficiente.

"What's practical is logical, what the hell who cares", já dizia a nossa loirita do coração. Esta é a ideia complementar do raciocínio - ligeiramente abalado já pelo caminhar das horas. Somos seres prácticos, quotidianos, fúteis e, em alguns casos, tributáveis também, como diria algum Pessoa. Temos problemas e precisamos de soluções. Temos necessidades que devem necessariamente ser compensadas. Nada mais simples: utilizamos o que nos é disponibilizado para usufruto do nosso ego.

Ética é, pois, unicamente uma forma soft de condenar a sociedade ao curioso síndrome do rebanho, que, sabe-se lá porquê, tende a seguir um padrão pré-establecido sem o questionar - e normalmente a defender o mais fraco, o mais coitadinho, o que não se atreve, o que é feliz com os limites que lhe são impostos pelo medo (who would have thought?!).

Eis senão quando, ao ouvir (ou ler) a palavra medo - para alguns, depois de um bocadinho de esforço ao nível da massa encefálica - percebemos qual o verdadeiro chicote comandando a fera que é o nosso mundo.


(que rufem os tambores!)

M e d o.

É por medo que nos controlamos, é por medo que não somos o que queremos, é por medo que seguimos uma vida que não renegamos. É por medo que não somos transparentes, é por medo de mostrar qualquer pseudo-vulnerabilidade que vamos alongando a nossa existência - no mínimo patética.

A grande questão, no entanto, é ainda outra: porque cedemos perante este medo que nos condiciona todo e qualquer movimento, todo e qualquer pensamento de qualquer uma das ovelhas cegas do rebanho?

A ovelha transmutou-se: ao ver a compincha sair do trilho, já não faz baaah; agora ladra. A ovelha é o cão, é o guardador do rebanho. Haverá melhor forma então de controlar um rebanho que incutir o ódio entre as próprias ovelhas? Divide and conquer.

Terminando. Se não queremos ser o cão (alguns querê-lo-ão, apesar de eticamente não ser a atitude mais correcta - mas sempre há aquela ténue sensação volátil de poder que nos faz sentir tão bem...), teremos necessariamente que ser a ovelha?

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